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Mais que uma doença incapacitante, a enxaqueca é uma condição passível de tratamento. Para o melhor resultado em ganho de qualidade de vida, é fundamental que se considere 3 pilares fundamentais: fazer um tratamento preventivo, cuidar das crises e promover hábitos capazes de ajudar na melhora. O tratamento preventivo é utilizado por um período de médio a longo prazo e visa reduzir a frequência e impacto das crises, devolvendo com isso a qualidade de vida.

Ao longo do tempo a medicina descobriu que alguns medicamentos usados para outras condições também são capazes de diminuir a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca. As diferentes classes desses medicamentos são: anti-hipertensivos, antiepilépticos e antidepressivos.

Os anti-hipertensivos têm dois medicamentos importantes: os beta-bloqueadores e a candesartana.

Os beta-bloqueadores estão entre os primeiros medicamentos historicamente usados para tratar enxaqueca. Apesar de não se saber exatamente qual a forma de ação dessas medicações na enxaqueca, existem diversos estudo que demonstram a redução da frequência e intensidade das crises em pessoas com enxaqueca episódica (menos de 15 dias de dor no mês). A melhora só começa a ser notado após cerca de 4 semanas tomando a medicação em doses adequadas. Para que se tenha o resultado desejado o tratamento é continuo por alguns meses. Toda medicação pode gerar efeitos colaterais. É importante se informar durante a consulta e monitorar os eventuais efeitos colaterais durante o tratamento.

A candesartana é um outro tipo de anti-hipertensivo utilizado para o tratamento da enxaqueca, muito difundida nos Estados Unidos e na Europa. Geralmente é uma medicação muito bem tolerada. Assim como no caso dos betabloqueadores, o mecanismo de ação não é totalmente bem estabelecido. Toda medicação pode gerar efeitos colaterais. É importante se informar durante a consulta e monitorar os eventuais efeitos colaterais durante o tratamento.

Um conceito importante: o uso das medicações anti-hipertensivas não é restrito a pessoas com hipertensão arterial. Eles foram estudados para o tratamento de enxaqueca e se mostraram eficazes mesmo em pessoas com pressão arterial normal!

Tanto a dose quanto o tempo de tratamento sempre devem ser individualizados. Um princípio geral é que o tratamento preventivo deve ser realizado por pelo menos 6 meses para um efeito mais duradouro.

Para se ter o melhor resultado do tratamento não basta tomar a medicação preventiva. É preciso também saber tratar a crise corretamente, e adotar hábitos de vida protetores das crises de enxaqueca. Para saber mais, continue lendo os próximos posts!

Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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