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A enxaqueca é uma condição muito comum em todas as sociedades e acompanha a humanidade há milênios. Encontramos registros no Egito antigo, na Grécia com Hippocrates e no Oriente Médio. Muito mais que uma dor de cabeça, a enxaqueca é uma condição crônica, que é caracterizada por herança familiar, e se desenvolvem em crises recorrentes que são compreendidas por até 4 fases:

    • Pródromos: sintomas inespecíficos que antecedem a crise em horas a dias. Exemplos comum são o bocejamento, a compulsão alimentar, o aumento da frequência da diurese, alterações de humor (euforia ou sintomas de depressão) e a sensação subjetiva de que uma crise se iniciará logo.
    • Aura: alteração neurológica focal e transitória, que geralmente antece de a dor, mas pode se desenvolver simultaneamente. A forma mais comum é a aura visual, que pode se desenvolver com escotomas visuais (falhas no campo da visão, que podem ser escuras ou brilhantes), e tem duração de 5 a 60 minutos. Apenas cerca de 20% das pessoas com enxaqueca desenvolvem o fenômeno da aura.
    • Cefaleia: a dor é geralmente unilateral, mas pode ser bilateral. O tipo de dor mais comum é a pulsátil ou latejante. Frequentemente acompanha náusea e desconforto causado pela luz ou pelo barulho. Caracteristicamente a dor piora com o esforço físico e pode melhorar com o sono. Pessoas em crise de enxaqueca tendem a procurar locais calmos e escuros para descansar.
    • Pós-crise: mesmo após terminada uma crise de enxaqueca, pode permanecer uma sensação de cabeça “pesada” e exaustão, que dura horas a poucos dias, até que haja resolução completa do episódio.

Mais comum nas mulheres, as crises têm frequência e duração variável entre as pessoas e para cada pessoa a depender do momento de vida.

Existem diversos fatores que podem ser um gatilho para o início de uma crise, e por vezes são confundidos com a causa da condição. Alguns exemplos comuns são: privação de sono, menstruação, excesso de estresse emocional, bebida alcoólica, alguns tipos de alimentos, uso excessivo de cafeína, entre outros. Existem diversas medidas para o tratamento da crise da enxaqueca, e quando o tratamento é realizado no início da crise a eficácia costuma ser muito maior. Quando os episódios se tornam recorrentes, ou quando são incapacitantes e não respondem bem ao tratamento agudo, deve ser iniciado um tratamento específico para evitar o acontecimento das crises. Esse tratamento é chamado de profilaxia. Vários medicamentos já foram estudados e mostraram grande benefício na redução das crises de enxaqueca. Entre eles encontramos alguns anti-hipertensivos, anti-epilépticos e anti-depressivos. Recentemente uma nova medicação específica para o tratamento de profilaxia da enxaqueca foi lançada nos Estados Unidos, e deve chegar ao Brasil nos próximos anos. Outra modalidade de tratamento com alta eficácia é a aplicação de toxina botulínica.

Todos os pacientes com enxaqueca devem receber orientações quanto aos fatores de risco para cronificação, que tornam os episódios cada vez mais comuns e dificultam muito a melhora com o tratamento. Os mais importantes são o estado emocional (sintomas de depressão ou ansiedade), o excesso de peso, as alterações do sono e o uso excessivo de analgésicos e cafeína. Por isso, o tratamento multidisciplinar é o que apresenta maior eficácia para pessoas com enxaqueca crônica. Com ajuda de profissionais como nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, psicólogo e psiquiatra é possível reverter esse quadro que pode ser extremamente incapacitante.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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