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Enxaqueca é uma condição crônica determinada pela interação entre a formação genética de cada pessoa e as influências do meio em que ela vive.

A mente humana é altamente desenvolvida para estabelecer relações entre situações e fatos corriqueiros. Essa brilhante capacidade foi fundamental para grandes conquistas da humanidade, como  a escrita, a filosofia e a ciência. Entretanto ela também pode nos trair em nosso ponto cego.

Explico: Quando duas coisas acontecem em uma mesma sequência e de forma recorrente, nosso cérebro tende a interpretar que uma é causa da outra. Um exemplo comum na enxaqueca: é muito frequente o relato de pessoas que sofrem crises de enxaqueca após comer chocolate – e por isso acabam atribuindo ao chocolate a causa da crise.

Acontece que nem tudo é o que parece. Alguns estudos apontam para outro tipo de relação entre a dor da enxaqueca e o chocolate: ambas compartilham de uma mesma origem.

Na primeira fase da crise de enxaqueca, a fase prodrômica (leia mais sobre as fases da enxaqueca nesse post)1, que acontece horas a dias antes da dor, diversos sintomas podem aparecer: bocejamentos, cansaço, alteração do humor, aumento da frequência urinária, entre outros. Um sintoma comum, e curioso, é uma “fissura” por doces – entre eles o bom e velho chocolate.

O cenário está pronto: imagine uma pessoa com enxaqueca, que inicia os sintomas pró-dromicos um dia antes da crise, com uma vontade incontrolável de comer chocolate. Já sabemos que essa vontade pode ser consequência das alterações cerebrais causadas pela própria enxaqueca, numa fase antes da dor aparecer. Imaginemos que no dia seguinte do ataque ao cacau, a pessoa comece uma crise de enxaqueca. Pior: imagine que isso aconteça repetidamente. É mais que compreensível que essa pessoa conclua que o chocolate esteja causando a dor. Entretanto, como já vimos, o mais provável é que essa dor acontecesse independente de ter comido chocolate… e que tanto a dor quanto a “fissura” pelo doce tenham tido origem no mesmo problema: ambos sintomas de fases diferentes da enxaqueca, e não causa um do outro.

A ciência se dedica com muito rigor na busca de estabelecer as causas de efeitos que observamos na vida. No caso do chocolate e da enxaqueca a relação causal até hoje não foi efetivamente comprovada2. Agora entendemos melhor por que.

Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento! Se quiser saber mais sobre cefaleias, siga nossos posts (@drmarcionattan).

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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