Anticorpos Monoclonais contra Enxaqueca

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A enxaqueca é uma das doenças mais comuns e incapacitantes da humanidade.

Mas existe tratamento capaz de reduzir as crises e melhorar muito a qualidade de vida. Ao iniciar um tratamento é importante que se estabeleça uma expectativa realista sobre a evolução da doença. A causa da enxaqueca é genética, e por isso não existe cura conhecida. Por outro lado, com o tratamento, muitas pessoas passam a ter apenas crises eventuais e facilmente controláveis. Alguns ficam longos períodos sem dor e com o avançar da idade a doença pode regredir. Mas não é preciso esperar a aposentadoria melhorar!

O tratamento da enxaqueca tem 3 pilares fundamentais:

      1. Tratamento de cada crise de dor
      2. Tratamento preventivo, que diminui a frequência e intensidade das crises
      3. Medidas de estilo de vida que ajudam no controle da doença.

Vamos falar do tratamento preventivos: os medicamentos usados contra a enxaqueca.

Os anticorpos monoclonais são novos medicamentos desenvolvidos com alta tecnologia, especificamente para o tratamento preventivo da enxaqueca. A medicação atua sobre um receptor ou uma molécula bem conhecida: o CGRP. Há algumas décadas já sabemos que essa molécula é fundamental nas vias neurais responsáveis pela enxaqueca.

Por serem altamente específicos contra o alvo, os anticorpos monoclonais tem poucos efeitos adversos. Desde que lançados no mercado, esses medicamentos vem demonstrando boa segurança e efeito na redução das crises de enxaqueca. A administração é feita com uma injeção subcutânea que deve ser repetida a cada mês por um período que varia a depender da evolução da doença.

Toda medicação pode gerar efeitos colaterais. É importante se informar durante a consulta e monitorar os eventuais efeitos colaterais durante o tratamento.

Para se ter o melhor resultado do tratamento não basta tomar a medicação preventiva. É preciso também saber tratar a crise corretamente, e adotar hábitos de vida protetores das crises de enxaqueca. Para saber mais, continue lendo os próximos posts!

Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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Comorbidades: a Enxaqueca não “anda sozinha”

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Pessoas com enxaqueca frequentemente apresentam outro problema de saúde associado. Transtornos psiquiátricos, dores crônicas como a lombalgia, doenças respiratórios e transtornos do sono são alguns exemplos de doenças mais comuns entre os enxaquecosos. Algumas dessas doenças são fatores de risco para a piora da enxaqueca. Em outros casos há uma via de mão dupla, em que a doença é fator de risco para a enxaqueca e a enxaqueca também aumenta o risco da doença. É o caso da depressão, que atinge até 40% das pessoas com enxaqueca crônica. Estudos sugerem que a regulação do humor e dos fenômenos da enxaqueca compartilham de algumas vias neurais, o que explicaria essa influencia bidirecional. O transtorno de ansiedade também é muito comum e acomete cerca de 1/3 das pessoas com enxaqueca crônica. A obesidade é um importante fator de risco para cronificação e o controle do sobrepeso pode auxiliar na melhora das crises. A privação de sono é um importante gatilho para crises de enxaqueca. Insônia pode ser um fator de piora. Apneia obstrutiva do sono pode ser uma causa isolada de dor de cabeça matinal, além de frequentemente piorar a enxaqueca. Para essa população, o tratamento da apneia pode gerar uma melhora muito significativa da cefaleia.

Outra consideração importante é que a enxaqueca pode aumentar o risco de doença cerebrovascular. Para mulheres que tem enxaqueca com aura e utilizam anticoncepcional com estrogênio esse aumento de risco é muito significativo, e o uso do contraceptivo deve ser discutido com o médico. Para todo paciente com enxaqueca é importante avaliar e prevenir outros fatores de risco vasculares como hipertensão, colesterol alto, diabetes e tabagismo.

A avaliação do paciente com enxaqueca vai muito além da dor de cabeça. Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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A Voz da Enxaqueca

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A voz da enxaqueca: o que diz quem sofre com a doença.

Quem pensa que enxaqueca é “apenas” dor, se engana. No consultório ouvimos diariamente os relatos de como a doença afeta a vida das pessoas nas esferas pessoal, familiar, profissional e social. Para entender o que essas pessoas passam, nada melhor que dar-lhes a voz. Foi pensando nisso que o estudo My Migraine Voice foi elaborado. Mais de 11 mil pessoas com enxaqueca foram entrevistadas em 31 países, e o Brasil foi o segundo com maior número adesão, com 851 participantes.

Vamos aos resultados:

Quando questionados sobre qualidade de vida, 56% dos entrevistados disseram não se sentir compreendidos quando tem uma crise de enxaqueca; 42% se sentem deprimidos e 30% referem odiar a própria vida quando a crise de enxaqueca é intensa; um terço das pessoas sente que a doença guia suas vidas.

O impacto na vida privada assusta: 56% dos entrevistados relatam interferência da enxaqueca na vida sexual; metade perde eventos familiares por crises e 44% evita fazer compromissos. Quando sai de casa, um terço das pessoas tem que voltar mais cedo do que gostaria, por causa da dor.

Mais de 70% dos entrevistados relatou que a enxaqueca interfere em suas atividades diárias e compromete a capacidade de pensar claramente com frequência moderada, alta ou sempre.

Os relatos observados no estudo mostram como a dor e os outros sintomas desencadeados pelas crises de enxaqueca acabam afetando toda a dinâmica de vida pessoal. Mães e pais percebem como a condição afeta a relação com seus filhos. O casal sofre com a doença. A carreira pode ser comprometida. A vida social frequentemente é afetada.

É por esse conjunto de circunstancias que a enxaqueca é uma importante causa de incapacidade. Por isso, é fundamental estar alerta, identificar precocemente os sintomas da doença e procurar ajuda com um médico.

Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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Enxaqueca é uma importante causa de incapacidade

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Em 1990 a OMS o e Banco Mundial criaram o Global Burden of Diseases, estudo feito para medir o impacto das doenças mais comuns na população mundial. Nessa ocasião, a enxaqueca sequer havia sido incluídas entre as doenças estudadas. Ainda não se conhecia seu impacto. Em 2000 foi incorporada à lista e ocupou o 17º lugar. Desde então o reconhecimento do impacto sobre a vida das pessoas vem elevando a colocação da doença até que em 2016 assumiu o 2º lugar entre as condições que geram mais anos vividos com incapacidade no mundo. Assim como não tínhamos ideia desse impacto em 1990, muitas pessoas que hoje sofrem com enxaqueca ainda desconhecem o diagnóstico e não fazem nenhum tipo de tratamento.

Mais de 95% das pessoas terá pelo menos um episódio de dor de cabeça na vida. Obviamente, não são todas que terão enxaqueca. Na maioria das vezes a dor acontece por uma condição benigna, como um episódio de gripe ou ressaca. Mas o fato de praticamente todas as pessoas experimentarem algum episódio a dor em algum momento da vida faz com que esse sintoma pareça “normal”.

Pessoas que tem dores recorrentes, junto a outros sintomas como náusea, desconforto com luz e barulhos, demoram a perceber que aquela condição não é uma dor de cabeça “normal”.

A enxaqueca atinge 15% da população brasileira, aproximadamente 30 milhões de pessoas, sendo a maioria mulheres no auge da formação ou atuação profissional. Quando não tratada adequadamente ela pode impactar a vida em vários aspectos, gerando anos acumulados de incapacidade.

Tudo isso se torna ainda mais dramático quando sabemos que existem tratamentos disponíveis e capazes de trazer de volta a qualidade de vida perdida. O primeiro passo, por vezes o mais difícil, é o reconhecimento do problema. Por isso, informação de qualidade é fundamental.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

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Antidepressivos para Enxaqueca

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A enxaqueca é uma das doenças mais comuns e incapacitantes da humanidade.

Mas existe tratamento capaz de reduzir as crises e melhorar muito a qualidade de vida. Ao iniciar um tratamento é importante que se estabeleça uma expectativa realista sobre a evolução da doença. A causa da enxaqueca é genética, e por isso não existe cura conhecida. Por outro lado, com o tratamento, muitas pessoas passam a ter apenas crises eventuais e facilmente controláveis. Alguns ficam longos períodos sem dor e com o avançar da idade a doença pode regredir. Mas não é preciso esperar a aposentadoria melhorar!

O tratamento da enxaqueca tem 3 pilares fundamentais:

      1. Tratamento de cada crise de dor
      2. Tratamento preventivo, que diminui a frequência e intensidade das crises
      3. Medidas de estilo de vida que ajudam no controle da doença.

Vamos falar do tratamento preventivos: os medicamentos usados contra a enxaqueca.

Ao longo do tempo a medicina descobriu que alguns medicamentos usados para outras condições também são capazes de diminuir a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca. As diferentes classes desses medicamentos são: anti-hipertensivos, antiepilépticos e antidepressivos.

Antidepressivos são medicações muito importantes para o tratamento da enxaqueca. Entretanto, existem muitos mitos a respeito dessa classe de tratamento. É frequente ouvir no consultório o receio de se tornar “viciado” em medicações antidepressivas. Outros temem que sejam medicamentos “muito fortes”. Esse é um grande mito pois essas medicações não causam dependência. Pessoas que necessitam utiliza-las por longo prazo têm uma doença mais grave ou não realizam as medidas não farmacológicas protetoras.

É claro que todo medicamento está sujeito a efeitos colaterais, e seu uso só se justifica quando os benefícios ultrapassam os riscos do medicamento. Entretanto, a maioria das pessoas que faz um tratamento com essas medicações tem boa resposta, e os efeitos colaterais quando presentes são bem tolerados.

Outra confusão frequente é quando o paciente considera que médico passou esse tipo de medicamento por achar que a dor de cabeça é “psicológica”. Não existe dor de cabeça “psicológica”. Apesar de a condição psíquica do indivíduo e comorbidades como depressão e ansiedade terem importante influência na piora das dores de cabeça, os antidepressivos são utilizados para pessoas com enxaqueca mesmo na ausência de outras doenças, e mostraram-se importantes ferramentas para reduzir a frequência e intensidade da dor e melhorar a qualidade de vida.

Existem dois grupos de antidepressivos com efeito bem comprovado na redução das crises de enxaqueca: os tricíclicos e os duais.

Não sabemos exatamente os mecanismos de ação dessas medicações, mas postula-se que a modelação de neurotransmissores seja capaz de atuar sobre as vias cerebrais moduladoras da dor.

Os antidepressivos tricíclicos mais utilizados são a amitriptilina e a nortriptilina. Os antidepressivos duais são mais usados são a venlafaxina e desvenlafaxina.

Um alerta importante é que nenhuma dessas medicações pode ser interrompida abruptamente, sem o acompanhamento médico, sob o risco de efeitos colaterais importantes.

Toda medicação pode gerar efeitos colaterais. É importante se informar durante a consulta e monitorar os eventuais efeitos colaterais durante o tratamento.

Para se ter o melhor resultado do tratamento não basta tomar a medicação preventiva. É preciso também saber tratar a crise corretamente, e adotar hábitos de vida protetores das crises de enxaqueca. Para saber mais, continue lendo os próximos posts!

Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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