Dor de Cabeça e Menstruação

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Dores de cabeça são muito comuns no período próximo à menstruação. A causa mais frequente é a enxaqueca. Na infância a enxaqueca é ligeiramente mais comum em meninos, mas após a puberdade ela se tornar bem mais frequente entre as mulheres, chegando a atingir 43% da população feminina ao longo da vida. O principal fator responsável por essa diferença entre homens e mulheres é hormonal. Mas engana-se quem pensa que o estrogênio é o grande vilão. Durante a gestação, quando os hormônios (inclusive o estrogênio) estão em níveis muito altos, a enxaqueca melhora em cerca de 80% das mulheres. Isso por que a verdadeira responsável por essa predominância feminina da enxaqueca é a variação hormonal, que é a base do ciclo menstrual.

Mais da metade das mulheres com enxaqueca tem crises próximas ao período menstrual, e nesses casos a dor costuma ser mais intensa, mais duradoura e responde menos aos tratamentos de para crise. Quando a enxaqueca se manifesta exclusivamente nos dias que antecedem, ou durante a menstruação, ela é considerada uma Enxaqueca Menstrual Pura. Entretanto, na maioria das vezes essa relação não é exclusiva, havendo um predomínio próximo ao período menstrual. Nessa caso, chamamos de Enxaqueca Relacionada com a Menstruação. Na gestação, em que os níveis de estrogênio aumentam muito, mas permanecem estáveis em níveis altos, a maioria das mulheres diminui a frequência e a intensidade das crises. Esse fenômeno é menos frequente para aquelas que sofrem da enxaqueca com aura (saiba mais em https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=351), que pode até se intensificar durante a gestação. Após a menopausa a maioria das mulheres experimenta uma redução expressiva na frequência e na intensidade das crises, que é devida em grande parte ao término dos ciclos hormonais mensais.

Conhecer a relação entre a menstruação e as crises de enxaqueca é muito importante no momento de decisão sobre o tratamento. Para isso, o diário de cefaleia (https://www.sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=152) é muito útil. Quando essa relação é bem estabelecida, recomenda-se especial cuidado com outros gatilhos de crises no período mais vulnerável, como privação de sono ou jejum prolongado. Quando as crises são frequentes ao longo do mês e também se manifestam no período menstrual, deve-se considerar um tratamento preventivo (a profilaxia). Nos casos em que a maioria das crises acontece no período peri-menstural, pode-se considerar um tratamento chamado preemptivo, no qual se utiliza uma medicação para crises por alguns dias seguidos, iniciando antes do período em que a dor começa a aparecer.

A enxaqueca é uma condição recorrente e por vezes incapacitante, que tem nas mulheres a maior frequência. A variação hormonal, especialmente a queda do estrogênio na fase pré-menstrual, é um importante gatilho gerador de crises. Conhecer o comportamento dessas crises é fundamental para se conseguir o melhor resultado do tratamento.

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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Dores de cabeça constantes

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A dor de cabeça é uma das causas mais comuns de procura ao médico. É o motivo de um quinto das consultas de Pronto Socorro nos Estados Unidos e acomete cerca de 95% da população em algum momento da vida.Algumas pessoas sofrem com esse problema frequentemente. Quando as dores de cabeça acontecem por mais de 15 dias no mês, num período de 3 meses, ela é considerada uma cefaleia crônica. Nesse texto vamos falar das principais causas de dores de cabeça constantes, apontando quando se deve procurar o médico para uma avaliação, e quais as formas de tratamento disponíveis hoje.

É importante lembrar que a função desse texto é meramente informativa e de maneira alguma substitui a avaliação médica.

Para falarmos de dores de cabeça constantes é preciso saber que existem dois grupos de cefaleias: as cefaleias primárias e as secundárias. Como é isso?

A cefaleia secundária acontece quando uma outra doença é responsável pela dor de cabeça. Essa doença pode ter pouca gravidade, como um problema dentário ou uma gripe, ou pode ser uma condição grave, como um tumor ou uma hemorragia cerebral. Em geral, quando a doenças é mais grave, ela se manifesta com dores de cabeça junto a algum sinal de alarme. Justamente pelo risco de alguma condição grave, todas as pessoas que tem uma dor de cabeça com sinal de alarme, ou uma mudança no padrão da dor de cabeça, ou quando as dores são frequentes e ainda não tem um diagnóstico devem buscar uma avaliação médica. Felizmente as causas graves são mais raras, e a maioria das pessoas com dores de cabeça constantes apresenta algum tipo de cefaleia primária.

As cefaleias primárias são aquelas em que a dor de cabeça é o sintoma central da própria doença, e não existe uma outra condição que a justifique. É por isso que exames como a Tomografia ou a Ressonância não mostram nenhuma alteração nesses casos. Essa é a causa da grande maioria das consultas médicas por dor de cabeça (tanto no consultório quanto no pronto socorro). É comum que as cefaleias primárias se repitam ao longo do tempo, levando os pacientes que não tem acompanhamento médico a buscarem o pronto socorro recorrentemente. Existe mais de um tipo de cefaleia primária, e a que mais causa dores de cabeça constantes é a Enxaqueca, também conhecida como Migrânea (clique aqui para saber mais sobre a enxaqueca). Pessoas com enxaqueca tem crises de dor intensa, que pode durar de horas a dias. Além da dor, também podem sentir náuseas ou mesmo apresentar vômitos. Outros sintomas comuns são o incomodo com a luz, com o barulho e com os cheiros. Pacientes com crises intensas de enxaqueca buscam locais escuros e silenciosos, e podem melhorar após algumas horas de sono. Naturalmente, quanto mais frequentes são as crises de enxaqueca, maior é o comprometimento da qualidade de vida.

Mas afinal, como a enxaqueca se torna constante?

A enxaqueca é uma condição crônica, e tem base genética. O cérebro das pessoas com enxaqueca desenvolve uma sensibilidade maior aos estímulos, e gera uma cascata de eventos que acaba levando às crises de dor. O número de crises ao longo de um período é determinado pela interação entre a predisposição pessoal (genética) e os fatores chamados de gatilhos. Alguns exemplos de gatilhos são: estresse emocional, privação do sono, jejum prolongado, período menstrual, bebidas alcoólicas e alguns tipos de alimentos. É importante dizer que os gatilhos mudam de uma pessoa para outra, e mesmo para cada pessoa eles podem mudar ao longo do tempo.

O processo que torna a enxaqueca eventual (episódica) em um problema constante (enxaqueca crônica) é como qualquer processo de aprendizado. Quanto mais se repetem as crises, mais fácil é para um novo episódio acontecer. Esse processo se chama sensibilização central: o caminho da dor fica cada vez mais “registrado” em nosso cérebro, e assim é mais fácil de ser percorrido.

Hoje conhecemos alguns fatores que contribuem para esse “aprendizado da dor”, e que devem ser evitados para que as crises não se tornem frequentes. Para as pessoas que já tem dores de cabeça constantes é fundamental combate-los: isso contribui muito para um bom resultado do tratamento. Os principais fatores de cronificação são: sedentarismo e sobrepeso, sintomas de depressão e de ansiedade,  problemas do sono, uso excessivo de analgésicos e cafeína.

Existe tratamento pra quem tem dores de cabeça constantes?

Para qualquer tratamento bem sucedido, o primeiro passo é um diagnóstico correto, e para tanto a avaliação médica é imprescindível.

Como já vimos, a causa mais comum de dores de cabeça constantes é a enxaqueca crônica, e ela tem sim tratamento! O melhor deles é sempre a prevenção: uma pessoa que tem enxaquecas frequentes deve procurar ajuda para que esse problema não siga piorando até se tornar constante. Mas mesmo quando isso já aconteceu, existe tratamento, e ele é baseado em 3 passos fundamentais:

      1. Tratamento profilático (tratamento contínuo, que visa reduzir as frequência e intensidade das crises).
      2. Tratamento das crises (que visa cortar a dor de forma efetiva, evitando o uso excessivo de analgésicos).
      3. Medidas de estilo de vida (que auxiliam (e muito) na reversão das dores constantes).

O tratamento profilático é sempre indicado nos pacientes com enxaqueca frequente. Ele é fundamental para se conseguir uma redução efetiva no número de crises e também na intensidade. Existem 2 tipos de tratamento com comprovada eficácia atualmente disponíveis no Brasil: os medicamentos profiláticos e a aplicação da toxina botulínica (o Botox®). Em 2018 os anticorpos monoclonais injetáveis (novos medicamentos para prevenção da Enxaqueca) foram liberados para uso comercial nos Estados Unidos.

Além do tratamento profilático, é importante a orientação de como proceder em um caso de crise: qual medicação mais adequada para cada paciente; qual a dose correta; quando iniciar a medicação; o que fazer caso não apresente melhora adequada. É bom lembrar que o uso excessivo e indiscriminado de medicações para crise de enxaqueca pode induzir a um outro tipo de dor: a Cefaleia por Uso Excessivo de Analgésico. Por fim, as medidas de estilo de vida constituem o terceiro passo fundamental para um tratamento de sucesso. Uma boa alimentação, atividade aeróbica regular, um sono reparador e controle de fatores de estresse podem auxiliar e muito no tratamento.

Em resumo: dor de cabeça é um sintoma muito comum, mas algumas pessoas sofrem constantemente desse problema, enquanto outras podem ter doenças graves como causa. A condição mais comum de dores constantes é a enxaqueca crônica. O seu diagnóstico depende de uma avaliação médica, e o tratamento é composto por 3 pilares: a medicação profilática (que reduz as crises), o tratamento de crise (que corta a crise já instalada), e as medidas de estilo de vida (fundamentais para a melhora efetiva).

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

Dr. Marcio Nattan é Neurologista pela FMUSP, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e membro da International Headache Society. CRM-SP 149524

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Enxaqueca e o Mito do Chocolate

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Enxaqueca é uma condição crônica determinada pela interação entre a formação genética de cada pessoa e as influências do meio em que ela vive.

A mente humana é altamente desenvolvida para estabelecer relações entre situações e fatos corriqueiros. Essa brilhante capacidade foi fundamental para grandes conquistas da humanidade, como  a escrita, a filosofia e a ciência. Entretanto ela também pode nos trair em nosso ponto cego.

Explico: Quando duas coisas acontecem em uma mesma sequência e de forma recorrente, nosso cérebro tende a interpretar que uma é causa da outra. Um exemplo comum na enxaqueca: é muito frequente o relato de pessoas que sofrem crises de enxaqueca após comer chocolate – e por isso acabam atribuindo ao chocolate a causa da crise.

Acontece que nem tudo é o que parece. Alguns estudos apontam para outro tipo de relação entre a dor da enxaqueca e o chocolate: ambas compartilham de uma mesma origem.

Na primeira fase da crise de enxaqueca, a fase prodrômica (leia mais sobre as fases da enxaqueca nesse post)1, que acontece horas a dias antes da dor, diversos sintomas podem aparecer: bocejamentos, cansaço, alteração do humor, aumento da frequência urinária, entre outros. Um sintoma comum, e curioso, é uma “fissura” por doces – entre eles o bom e velho chocolate.

O cenário está pronto: imagine uma pessoa com enxaqueca, que inicia os sintomas pró-dromicos um dia antes da crise, com uma vontade incontrolável de comer chocolate. Já sabemos que essa vontade pode ser consequência das alterações cerebrais causadas pela própria enxaqueca, numa fase antes da dor aparecer. Imaginemos que no dia seguinte do ataque ao cacau, a pessoa comece uma crise de enxaqueca. Pior: imagine que isso aconteça repetidamente. É mais que compreensível que essa pessoa conclua que o chocolate esteja causando a dor. Entretanto, como já vimos, o mais provável é que essa dor acontecesse independente de ter comido chocolate… e que tanto a dor quanto a “fissura” pelo doce tenham tido origem no mesmo problema: ambos sintomas de fases diferentes da enxaqueca, e não causa um do outro.

A ciência se dedica com muito rigor na busca de estabelecer as causas de efeitos que observamos na vida. No caso do chocolate e da enxaqueca a relação causal até hoje não foi efetivamente comprovada2. Agora entendemos melhor por que.

Informação é fundamental para o melhor resultado do tratamento! Se quiser saber mais sobre cefaleias, siga nossos posts (@drmarcionattan).

Dr. Marcio Nattan - Neurologista

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O Pseudotumor – Série Camaleões: Nem toda dor de cabeça é Enxaqueca

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A dor de cabeça é um sintoma de diversas doenças. Muito mais comum nas causas primárias (saiba mais nesse post), ela também pode aparecer como principal sintoma nas cefaleias secundárias – como o Pseudotumor cerebral.

A primeira coisa importante sobre o Pseudotumor é justamente o que o nome significa: não se trata de tumor! A doença, de causa ainda não conhecida, acontece devido a um desequilíbrio entre a produção e absorção (ambas contínuas) de líquor (o líquido que banha nosso cérebro e medula). Com o aumento do volume do líquor, em um compartimento fechado (a meninge), acontece um aumento da pressão craniana.

O primeiro caso foi descrito em 18971, por Quinke, e sabemos que à época não se dispunha de exames como a Tomografia Computadorizada ou a Ressonância Magnética. O que o pesquisador notava é que algumas pessoas desenvolviam sintoma semelhantes aos do tumor cerebral (aumento da pressão intracraniana), mas quando vinham a falecer e eram submetidas à autópsia, não havia qualquer indício de um tumor. Daí o nome: pseudo (de mentira) tumor.

A doença é relativamente rara, acontecendo em cerca de 2 a cada 100.000 pessoas. É bem mais comum em mulheres e na maioria das vezes está relacionada ao sobrepeso/obesidade. O sintoma mais comum é a dor de cabeça, que pode assumir diversas formas, inclusive imitando a dor da enxaqueca. Outros sintomas comuns são: turvação visual transitória, zumbido pulsátil no ouvido, dores no pescoço, visão dupla e perda visual.

Pseudotumor-Cerebral-2-guia-da-cefaleiaPara o diagnóstico são necessários exames complementares. Em primeiro lugar um exame de imagem, preferencialmente a  ressonância magnética, para excluir outras causas de aumento da pressão intracraniana (como o próprio tumor cerebral ou a trombose de veias cerebrais). O exame do líquor confirmar o aumento da pressão e também descarta outras causas como infecções. Também é necessário o acompanhamento neuroftalmológico, com avaliação regular do campo visual.

O tratamento se dá com medicamento e medidas não farmacológicas. As mais importantes são: perda de peso e dieta com pouco sal. Essas medidas são muito efetivas para a resolução na maioria dos casos. Entretanto, pelo menos em fase inicial, comumente é necessária uma medicação capaz de reduzir a produção do líquor. Em casos raros essas medidas são insuficientes, e nesses casos dispomos de procedimentos cirúrgicos como a derivação ventrículo-peritoneal, ou a fenestração do nervo óptico. Outro procedimento, com utilização muito pontual, é a angioplastia venosa cerebral.

A principal complicação da doença, quando não controlada adequadamente, é a perda progressiva da visão. Atualmente é uma das causas mais importantes de cegueira em adultos. Entretanto, com as medidas corretas, felizmente a grande maioria dos pacientes evolui sem comprometimento significativo da visão.

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Enxaqueca: Um impacto na vida profissional

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A Enxaqueca e Sua Carreira

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado, e não nos desligamos mais. A demanda crescente por respostas imediatas vem nos tornando pessoas sempre vigis. Para evitar o burnout e manter o equilíbrio e a saúde mental é preciso um esforço contínuo e consciente. O ambiente de trabalho é revelador de como podemos adoecer ao nos descuidarmos da saúde.

Estudo mundial sobre as consequências da enxaqueca, que teve o Brasil como segundo maior representante, revelou dados alarmantes: 83% dos entrevistados relataram ter cancelado um compromisso no último mês devido à enxaqueca; 71% tiveram que parar suas atividades diárias no meio, devido a uma crise de enxaqueca; 87% relataram comprometimento da capacidade cognitiva para realização das atividades habituais. 

Frequentemente essas pessoas têm vergonha de expor o que estão passando, e tentam esconder a crise de enxaqueca, até que sintomas como dor intensa, náusea ou vômito se tornam insuportáveis. A solução rápida é buscar medicações livremente vendidas nas farmácias, que por vezes trazem um alívio imediato, mas não são capazes de frear essa bola de neve. O que poucos sabem é que o uso excessivo de analgésicos pode até piorar o problema.

Com a demanda profissional crescente, os frequentes episódios de crise podem gerar um grande impacto emocional, provocando sintomas depressivos e exacerbando a ansiedade. A armadilha está pronta para uma espiral capaz de consumir a qualidade de vida das pessoas. 

Sem se dar conta de estarem doentes, muitas pessoas sequer procuram ajuda, e o problema segue piorando progressivamente. Essa é uma das razões pelas quais a enxaqueca é a segunda principal causa de anos vividos com incapacidades no mundo.

A grande questão é: existem diversos tratamentos capazes de reduzir a intensidade e a frequência das crises, e devolver a qualidade de vida tomada pela doença. Com tratamento preventivo, controle adequado das crises, e a adoção de alguns hábitos saudáveis como a atividade física aeróbica, a história de dores de cabeça constantes e incapacitantes pode mudar. Por isso é fundamental procurar ajuda.

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O que é Enxaqueca?

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A enxaqueca é uma condição crônica, de base genética, que gera uma predisposição a desenvolver crises recorrentes de dores de cabeça, junto com outros sintomas como náusea, desconforto com a luz, o barulho, os cheiros e o esforço físico.

O professor Peter Goadsby do King’s College de Londres, um dos maiores estudiosos desse tema, explica que a enxaqueca é “uma instabilidade na forma como o cérebro lida com as informações sensitivas, e essa instabilidade pode sofrer influência de fenômenos fisiológicos como o sono, atividade física e o a fome ou o apetite”.

Por um lado, devido a sua base genética, a enxaqueca é uma condição sem cura. Por outro lado, trata-se de uma predisposição a crises, ou seja, mesmo que uma pessoa tenha essa base hereditária, com um tratamento e cuidados adequados, ela pode ter suas crises controladas e viver uma vida normal. Entretanto, algumas pessoas acabam desenvolvendo crises frequentes e o problema pode se tornar uma bola de neve.

O que vai determinar a quantidade, a intensidade e a incapacidade das crises é a somatória de 3 fatores:

    1. A base genética: determina a facilidade que uma pessoa tem de desenvolver crises de enxaqueca;
    2. Os fatores gatilhos, condições (internas e externas) que estimulam ou desencadeiam as crises;
    3. Os fatores protetores, que diminuem a tendência a ter crises, e vão na contra-mão dos fatores gatilhos.

Portanto, uma pessoa com alta susceptibilidade a crises, exposta a múltiplos gatilhos, e sem fatores protetores, fica sob alto risco de sair da condição enxaqueca para entrar na doença enxaqueca, capaz de determinar um grave comprometimento da qualidade de vida.

Alguns fatores de gatilho bem conhecidos são: privação de sono, jejum prolongado, estresse emocional, queda dos níveis de estrogênio (que acontece na mulher no período pré-menstrual); entre os fatores protetores mais importantes: atividade aeróbica regular (30 minutos, 3x/semana), alimentação e sono regulares e controle adequado das crises.

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Sinais de Alarme

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A maioria dos episódios de cefaleia não está relacionado a nenhuma doença grave. Porém, em alguns casos ela pode ser o único sintoma de uma doença ameaçadora à vida. Por isso, em casos de cefaleia com sinal de alarme, a recomendação é que se procure imediatamente o médico, de preferência em um Pronto Atendimento.

Os principais sinais de alarme são:

      • Cefaleia muito intensa de início súbito, que atinge o pico da dor em poucos segundos. É chamada de cefaleia em trovoada, ou thunderclap.
      • Alteração da consciência associada à cefaleia: perda de consciência, agitação ou sonolência.
      • Outros sintomas como febre e prostração.
      • Dores de cabeça que tem início após os 40 anos de idade.
      • Sintomas neurológicos: fraqueza de um lado do corpo, desvio da boca, vertigem ou tontura súbitas, crise convulsiva.
      • Cefaleia nova ou diferente da habitual na gestação ou no puerpério.

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O Sinal Vermelho da Dor de Cabeça

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A dor de cabeça é um sintoma frequente. Na maioria das vezes a causa é uma condição benigna, mas em alguns casos pode ser o primeiro ou até o único sintoma de uma doença grave – como o rompimento de um aneurisma cerebral.

No ano de 2011, a primeira temporada da série Game of Thrones ia ao ar para se tornar uma das mais famosas de todos os tempos. As gravações caminhavam para o fim quando Emilia Clarke, protagonista da então frágil Daenerys, sentiu uma súbita dor de cabeça durante um treino com seu personal.

“Senti como se uma cinta elástica apertasse o meu cérebro. Tentei ignorar a dor, mas não consegui. Disse ao meu treinador que tinha que fazer um descanso.”

Em poucos segundos a dor piorou muito, parecendo uma explosão em sua cabeça. Outros sintomas se seguiram:

“Entrei no banheiro e me ajoelhei, com náuseas. Enquanto isso, a dor me perfurava a cabeça cada vez mais”.  “Lembro-me do som de uma sirene, uma ambulância; escutei novas vozes, alguém dizendo que meu pulso era fraco, enquanto eu vomitava bílis” 

Emilia foi levada imediatamente ao Pronto Atendimento onde fez uma Tomografia do Crânio que detectou hemorragia (sub-aracnóidea). A causa: o rompimento de um aneurisma cerebral. Submetida a procedimentos cirúrgicos para correção, ela permaneceu por um longo período em terapia intensiva. Aos poucos se recuperou e, graças a uma boa reabilitação, retomou suas atividades para dar vida e força à uma das personagens mais importantes da série – the Unburnt! 

O sangramento cerebral por ruptura de aneurisma é uma doença muito grave, com uma mortalidade que atinge até 50% dos pacientes, mesmo recebendo todos os cuidados disponíveis.

A história (real) de Emilia Clarke é um convite à reflexão sobre quando a dor de cabeça é um sinal de emergência. Em 2019, a revista científica Neurology® publicou uma revisão dos principais sinais de alarme para uma dor de cabeça aguda1.

Nela são elencados 15 itens que indicam maior precaução diante de uma queixa de dor de cabeça:

      1. Início súbito (imediato) de dor muito intensa. Essa forma de apresentação é chamada de cefaleia em trovoada (ou Thunderclap), e é diferente da dor que vai se tornando progressivamente intensa ao longo de minutos ou horas (mais comum na enxaqueca).
      2. Sintomas “sistêmicos” que aparecem junto com a dor, como febre alta, manchas no corpo, emagrecimento sem outra causa aparente;
      3. Quando além de uma dor nova, existe história de neoplasia prévia;
      4. Sintomas neurológicos como fraqueza de um lado do corpo, desvio da boca ou alteração da fala;
      5. Dores de cabeça que só começam a partir dos 50 anos;
      6. Uma clara mudança no padrão de uma dor de cabeça prévia e recorrente;
      7. Dor de cabeça que piora ao ficar de pé, ou que piora ao permanecer deitado;
      8. Dor desencadeada durante um esforço físico (como no caso de Emilia Clarke), por tosse, espirro ou atividade sexual;
      9. Alterações oftalmológicas no exame médico, como papiledema;
      10. Dor com piora progressiva ao longo de dias ou semanas;
      11. Dor de cabeça que tem seu início ou mudança de padrão durante a gestação ou puerpério;
      12. Sintomas autonômicos, como lacrimejamento, vermelhidão, inchaço do olho, que pode ser associado a coriza nasal do mesmo lado;
      13. Dor após história recente de trauma (queda, acidente automobilístico ou outro trauma);
      14. Dor em pessoas com alguma forma de imunossupressão (por medicamentos, transplante de órgãos, HIV, entre outras);
      15. Necessidade constante de analgésicos, sem melhora significativa.
      16. Nem sempre esses sintomas são causados por doenças grave. Entretanto, na presença de algum deles, uma avaliação médica é fundamental para a identificação da necessidade de exames complementares. Algumas das doenças graves que podem estar por trás da cefaleia são: o aneurisma cerebral roto, a trombose venosa cerebral, a síndrome da vasoconstricção arterial reversível, causas de hipertensão craniana (como o tumor cerebral) ou hipotensão craniana.

Em caso de uma dor de cabeça muito súbita e intensa (a cefaleia em trovoada), ou quando junto à dor uma pessoa tem perda de consciência, recomenda-se uma avaliação médica imediata, no Pronto Atendimento mais próximo.

Felizmente Emilia se salvou de um quadro muito grave. Além do mérito de toda a equipe assistencial, o reconhecimento rápido e o pronto atendimento e uma reabilitação efetiva foram fundamentais para que ela pudesse retomar sua vida e nos brindar com sua excelente atuação. Além disso ela criou uma página com o intuito de divulgar informações sobre lesões cerebrais em pessoas jovens – confira no link abaixo.

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Analgésicos e o “Presente de Grego”

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A Cefaleia induzida pelo uso excessivo de analgésicos.

Além de muito comum, a enxaqueca é uma condição debilitante. Quem sofre com crises frequentes, ao menor sinal da dor acaba se lembrando da forma mais fácil de alívio: o analgésico. O que pouca gente sabe é que o uso excessivo do analgésico pode tornar as dores ainda mais frequentes e resistentes aos medicamentos.

O que é a Cefaleia Por Uso Excessivo de Analgésicos?

É uma “nova” forma de dor de cabeça que acontece em pessoas que tem alguma outra forma de cefaleia primária, como a enxaqueca. Geralmente a pessoa nota que sua dor de cabeça se torna cada vez mais constante e que o efeito do analgésico vai se tornando menor e mais passageiro.

Até quantos comprimidos eu posso tomar?

Não existe um número exato, mas o risco de cefaleia por uso excessivo de analgésicos aumenta muito quando a partir de 15 dias no mês com uso de analgésicos comuns e antiinflamatórios (dipirona, paracetamol, ibuprofeno, cetoprofeno) ou 10 dias com uso de triptanos (medicamentos específicos para o tratamento da crise de enxaqueca). Se a pessoa faz uso de mais de um tipo de analgésico (ex.: alguns dias toma dipirona, em outros toma naratriptana), com apenas 10 dias de uso por mês já existe um alto risco de piora da cefaleia.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um exame que comprove a cefaleia pelo analgésico. O diagnóstico é feito com base na história de piora da dor junto ao uso excessivo da medicação. Um fator importante é que pessoas com essa condição tendem a ter uma melhora expressiva da dor apenas com a retirada dos analgésicos. Isso pode levar algumas semanas para ficar evidente.

O que fazer se preciso de analgésicos constantemente por dores de cabeça?

A melhor coisa a fazer é procurar o seu médico para orientações adequadas. A enxaqueca é uma doença capaz de acabar com a qualidade de vida de uma pessoa. É a segunda maior causa de anos vividos com incapacidade em pessoas com menos de 50 anos, e hoje existem diversas formas de tratamento disponíveis, capazes de mudar essa história. Portanto, a melhor solução pode não estar na primeira prateleira da farmácia.

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